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Tesouro Direto: como funciona e como começar a investir

Entenda o que são os títulos do Tesouro Direto, como cada um rende, quais custos e impostos existem e o passo a passo para fazer a primeira compra.

Por Redação · · 7 min de leitura

Tesouro Direto: como funciona e como começar a investir
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O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional, em parceria com a B3 (a bolsa de valores brasileira), que permite a qualquer pessoa física emprestar dinheiro ao governo federal. Em troca, o governo se compromete a devolver o valor com juros, seguindo regras definidas no momento da compra. Na prática, você compra um "título público": um papel digital que registra essa dívida a seu favor.

Como o emissor é a União, o Tesouro Direto é considerado o investimento de menor risco de crédito do país. Isso não significa ausência de risco: alguns títulos oscilam de preço se você vender antes do vencimento, e é preciso entender isso antes de começar. A boa notícia é que dá para entrar com valores pequenos, sem precisar de grandes quantias.

Neste guia você vê como cada título funciona, quais custos e impostos pesam no bolso e o passo a passo para a primeira compra.

Como o Tesouro Direto funciona

Quando você compra um título, está emprestando dinheiro ao governo por um prazo determinado, chamado de vencimento. Ao longo desse prazo, o título rende. No vencimento (ou em alguns casos ao longo do caminho, por meio de cupons de juros), você recebe o valor de volta com a remuneração.

Dois conceitos ajudam a entender tudo o que vem depois:

  • Marcação a mercado: o preço do título varia diariamente conforme as taxas de juros do mercado. Se você vende antes do vencimento, recebe o preço do dia, que pode ser maior ou menor do que o que pagou.
  • Liquidez: o Tesouro Direto tem recompra diária em dias úteis. Você pode vender quando quiser, mas, para títulos que oscilam, o preço de venda não é garantido.

Se você segura o título até o vencimento, a rentabilidade contratada na compra é a que vale, independentemente das oscilações no meio do caminho.

Os tipos de título

Os títulos se dividem pela forma como são remunerados.

Tesouro Selic (pós-fixado)

Acompanha a taxa Selic, a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. Se a Selic sobe, o rendimento sobe; se cai, o rendimento cai. É o título com menor oscilação de preço no dia a dia, por isso costuma ser a porta de entrada e uma opção para a reserva de emergência. Para entender a lógica, vale ler sobre a taxa Selic e como ela afeta seu dinheiro.

Tesouro Prefixado

Define, na hora da compra, uma taxa fixa até o vencimento. Exemplo hipotético: se você compra um título que paga 10% ao ano e o segura até o fim, receberá exatamente isso, aconteça o que acontecer com os juros. O risco está em vender antes: se os juros do mercado subirem, o preço do seu título cai.

Tesouro IPCA+ (híbrido)

Paga uma taxa fixa mais a variação da inflação medida pelo IPCA. Ou seja, garante um ganho acima da inflação se mantido até o vencimento. É uma ferramenta de proteção do poder de compra, tema do artigo sobre inflação e IPCA. Existe também a versão com juros semestrais, que paga cupons a cada seis meses.

Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+

São títulos voltados a objetivos de longo prazo. O Renda+ foi desenhado para formar uma renda complementar na aposentadoria, com pagamentos mensais por um período após a data escolhida. O Educa+ segue lógica parecida para custear estudos. Ambos têm particularidades de resgate; consulte as regras no site do Tesouro Direto antes de contratar.

Quanto custa investir

Há três itens de custo que você precisa conhecer.

Taxa de custódia da B3. É a taxa pela guarda dos títulos. Segundo a tabela de tarifas da B3 (consulta em 20/10/2026), ela é de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, provisionada diariamente e descontada na venda antecipada, no pagamento de juros ou no vencimento. No Tesouro Selic não há taxa para saldos de até R$ 10 mil por CPF; acima disso, a taxa incide apenas sobre o excedente. Educa+ e Renda+ têm regras diferenciadas. A forma de cobrança mudou nos últimos anos, então confira as regras vigentes no site da B3.

Taxa da corretora ou banco. O Tesouro Direto é acessado por meio de instituições chamadas agentes de custódia. Muitas não cobram taxa de administração, mas algumas cobram. Compare antes de abrir conta.

Imposto de Renda e IOF. Veja a seção a seguir.

Imposto de Renda no Tesouro Direto

O IR incide apenas sobre o rendimento (o lucro), não sobre o valor investido, e é retido na fonte no resgate, no vencimento ou no pagamento de cupons. A alíquota é regressiva, ou seja, cai conforme o tempo de aplicação, segundo o art. 1º da Lei 11.033/2004:

Prazo da aplicaçãoAlíquota sobre o rendimento
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Também existe o IOF, imposto sobre operações financeiras, que cobra uma parte do rendimento em resgates nos primeiros 30 dias; pela tabela do Decreto 6.306/2007, ele vai de 96% do rendimento no primeiro dia a 0% no 30º. Para uma visão completa de como isso entra na declaração anual, leia o guia prático do imposto de renda sobre investimentos.

Exemplo numérico hipotético

Imagine que você aplicou R$ 1.000 e, após dois anos e meio (mais de 720 dias), o título rendeu R$ 200 de lucro. O IR seria de 15% sobre esses R$ 200, ou seja, R$ 30. Você receberia R$ 1.170, antes de eventuais taxas de custódia. Os números são ilustrativos e não representam rentabilidade esperada.

Como começar, passo a passo

  1. Defina o objetivo e o prazo. Reserva de emergência pede liquidez e baixa oscilação (em geral, Tesouro Selic). Meta de longo prazo, como aposentadoria, pode combinar com IPCA+. Veja também quanto guardar na reserva de emergência.
  2. Escolha uma instituição habilitada. Use um banco ou corretora que seja agente de custódia do Tesouro Direto, comparando custos e a experiência do aplicativo.
  3. Abra o cadastro no Tesouro Direto. O processo é feito pela instituição escolhida, que integra o seu CPF aos sistemas do programa.
  4. Transfira o dinheiro para a conta na instituição.
  5. Escolha o título e o valor. Os valores mínimos são baixos, em geral uma pequena fração do preço do título; consulte o valor atual no site do Tesouro Direto.
  6. Acompanhe sem ansiedade. Para títulos que você pretende segurar até o vencimento, as oscilações diárias importam pouco.

Erros comuns de iniciantes

  • Comprar um título prefixado ou IPCA+ de longo prazo para um objetivo de curto prazo e ter de vender com prejuízo.
  • Ignorar a tributação e comparar apenas a taxa "bruta" com outros investimentos.
  • Esquecer que a taxa de custódia e a taxa da corretora reduzem a rentabilidade líquida.
  • Concentrar tudo em um único título sem pensar em prazos. Para entender como combinar ativos, veja como montar uma carteira diversificada.

Perguntas frequentes

O Tesouro Direto é seguro?

O risco de crédito é considerado o menor do país, pois o devedor é o governo federal. Mas há risco de preço: vender antes do vencimento pode gerar perda em títulos prefixados e IPCA+.

Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?

Se você segurar o título até o vencimento, recebe o que foi contratado. Se vender antes, em títulos com marcação a mercado, pode receber menos do que pagou.

Qual o valor mínimo para investir?

O mínimo é baixo e corresponde a uma fração do título, mas varia ao longo do tempo. Consulte o valor atual no site oficial do Tesouro Direto.

O Tesouro Direto tem a garantia do FGC?

Não. O FGC cobre produtos de instituições financeiras, como CDBs. Os títulos públicos têm como garantia a própria União. Veja a comparação em CDB, LCI e LCA.

Conclusão

O Tesouro Direto é uma porta de entrada acessível e transparente para a renda fixa. Entender a diferença entre pós-fixado, prefixado e IPCA+, olhar o prazo do seu objetivo e descontar custos e impostos são os passos que evitam as frustrações mais comuns. Comece com clareza sobre para que serve o dinheiro e confirme sempre as regras vigentes nos sites do Tesouro Direto, da B3 e da Receita Federal.

Fontes (consultadas em 20/10/2026): tarifas do Tesouro Direto na B3, Lei 11.033/2004 e Decreto 6.306/2007.

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Escrito por

Redação

A Redação reúne pesquisa, checagem de fontes oficiais (Banco Central, CVM, Receita Federal, Tesouro Nacional, B3, IBGE) e edição para explicar finanças pessoais e investimentos em linguagem simples. Nosso conteúdo é educacional e não substitui a orientação de um profissional certificado.

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